segunda-feira, 11 de março de 2013

FA com RVR + HAE


A doente do género feminino  com 87 anos dirigiu-se ao serviço de urgência com "palpitações".
Foi obtido o seguinte ECG:

Neste ECG podemos ver a ausência de onda P. Como tal sabemos que não se trata de um ritmo sinusal.
A continuarmos focados no ritmo podemos ainda verificar que o intervalo R-R não se mantem regular.
Assim podemos admitir que se trata de uma Fibrilhação Auricular com Resposta Ventricular Rápida. 
É uma resposta ventricular rápida porque a frequência cardiaca ultrapassa os 100 bpm.

Continuando a analise do ECG anterior podemos observar:
- Desvio esquerdo do eixo eléctrico;
- QRS com duração 0,10 - 0,12 seg;
Sendo assim podemos admitir que estamos perante um Hemibloqueio Anterior Esquerdo.

Coloco agora o Electrocardiograma com algumas provas da minha análise:

Fibrilhação Auricular com Resposta Ventricular Rápida. (marcações circulares) 
 A Fibrilhação Auricular (FA) é uma disritmia supraventricular caracterizada por um ritmo auricular caótico, com múltiplos focos ectópicos auriculares e uma frequência ventricular classicamente irregular. A frequência auricular é de cerca de 400bpm. Os complexos QRS apresentam morfologia normal, com intervalos R-R irregulares que podem apresentar três tipos de resposta ventricular:
·         Lenta – FC inferior a 60 bpm;
·         Controlada – entre 60 e 100 bpm;
·         Rápida – superior a 100 bpm. 

Hemibloqueio Anterior Esquerdo (marcações retangulares) 


Bloqueios Fasciculares (Hemibloqueios)
São uma perturbação da condução intraventricular, na divisão do fascículo anterior ou no fascículo posterior esquerdo. Resulta num alargamento do QRS e desvio do eixo eléctrico.

 Hemibloqueio Anterior Esquerdo (HAE)
- Desvio esquerdo do eixo eléctrico;
- QRS com duração 0,10 - 0,12 seg;
- Observa-se uma onda s seguidamente onda R em DI e aVL;
- Observa-se uma onda r seguidamente onda S em DII, DIII e aVF.



Nota: 
Uma outra forma de tentar averiguar se existe HAE é se  tivermos os complexos QRS das derivações DII e DIII maioritariamente negativos e uma má progressão da onda R em V5 e V6.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Algoritmo da desobstrução da via aérea por corpo estranho - Adulto


Obstrução da Via Aérea (OVA) na Vítima Adulta


 A OVA é uma emergência absoluta que se não for reconhecida e resolvida leva à morte em minutos.
Qualquer objecto sólido pode funcionar como corpo estranho e causar obstrução da via aérea – obstrução por corpo estranho.
Uma das formas mais frequentes de obstrução da via aérea é a resultante de uma causa ‘extrínseca’ à via aérea – alimentos, sangue ou vómito.
Podem ocorrer situações de obstrução da via aérea por edema dos tecidos da via aérea como por exemplo no caso de choque anafilático, de neoplasia ou de epiglotite (inflamação da epiglote), sendo esta última mais frequente nas crianças - obstrução patológica.
Nos adultos, a obstrução da via aérea por corpo estranho (OVA CE) ocorre habitualmente durante as refeições, com os alimentos, e está frequentemente associada a alcoolismo ou tentativa de engolir pedaços de comida grandes e mal mastigados.
Os doentes idosos com problemas de deglutição estão também em risco de obstrução da via aérea por corpo estranho e devem ser aconselhados a comer de forma cuidadosa.

A OVA, sobretudo quando ocorre num local público, como um restaurante, é frequentemente confundida com um ataque cardíaco.
É importante distinguir a obstrução da via aérea de outras situações dado que a abordagem é diferente.

--> A obstrução da via aérea deve ser considerada numa vítima que faz paragem respiratória súbita, fica cianosada e inconsciente sem motivo aparente. <--

CLASSIFICAÇÃO

A obstrução da via aérea pode ser grave ou ligeira.

 Distinção entre obstrução da via aérea por corpo estranho (OVA CE) ligeira e grave

-->Na obstrução ligeira ainda existe a passagem de algum ar a vítima começa por tossir, ainda consegue falar e pode fazer algum ruído ao respirar.
Enquanto a vítima respira e consegue tossir de forma eficaz o reanimador não deve interferir, devendo apenas encorajar a tosse, vigiar se a obstrução é ou não resolvida e se a tosse continua a ser eficaz.

-->Na obstrução grave já não existe passagem de ar na via aérea (geralmente obstrução total), a vítima não consegue falar, tossir ou respirar, nem emite qualquer ruído respiratório.
Poderá demonstrar grande aflição e ansiedade e agarrar o pescoço com as duas mãos. É necessário actuar rapidamente, se a obstrução não for resolvida a vítima poderá ficar inconsciente e morrer.

A vítima com obstrução ligeira / parcial da via aérea pode, logo à partida, apresentar uma tosse ineficaz, dificuldade respiratória marcada e cianose, podendo estes sinais surgir progressivamente se a situação não for resolvida.
Nesta situação é necessário actuar rapidamente como se de uma obstrução grave se tratasse.
No caso de obstrução grave da via aérea causada por corpo estranho, deve começar por tentar a desobstrução da via aérea com aplicação de pancadas inter-escapulares e, no caso de insucesso, tentar então  manobra de Heimlich (compressões abdominais).

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Stroke and stress levels

 Stressed-out, type A personalities may be more likely to suffer a stroke than their mellow counterparts, a new Spanish study suggests.
Previous research has linked stress to heart disease, but this latest finding, which appears online Aug. 29 in the Journal of Neurology, Neurosurgery and Psychiatry, looked at stress in relation to stroke risk.
Researchers from the Hospital Clinico Universitario San Carlos in Madrid compared stroke risk factors, including stress levels, among 150 adults who had a stroke and 300 healthy adults (the "control" group). Stress levels were measured using standardized tools assessing major life events, anxiety and depression, general well-being and personality type. Participants also answered questions about their caffeine, alcohol and energy drink intake, smoking status and whether or not they had a job.
Having had a stressful major life event in the past year quadrupled the risk of stroke, while having a type A personality doubled the chances, according to Dr. Jose Antonio Egido and colleagues. Smoking or having smoked in the past also doubled the chances, the investigators found.
"Addressing the influence of psychophysical factors on stroke could constitute an additional therapeutic line in the primary prevention of stroke in the at-risk population and, as such, warrants further investigation," the study authors concluded.
Experts agreed the finding could help doctors better understand the effect of stress on stroke risk. But while the study did show an association between the two it did not prove cause and effect.
"This study is useful and valuable because it shows us that there is an association between stress, type A personalities and stroke risk," said Dr. Deepak Bhatt, director of the integrated cardiovascular intervention program at Brigham and Women's Hospital in Boston. "Stress can elevate blood pressure, and high blood pressure is a major risk factor for stroke."
It also makes sense that someone who is continually stressed may smoke, drink alcohol, eat an unhealthy diet and not exercise regularly, which could make things worse, Bhatt added.
Taking steps to lower stress levels may help offset these risks, he said. Exercise and meditation are two ways to help keep stress at bay. It's also important to begin to identify stress triggers and take steps to avoid them, he said. "If it is deadlines that stress you out, it may be worthwhile to set aside more time when one is pending so you are not burning the midnight oil."
Dr. Rafael Ortiz, director of the Center for Stroke and Neuro-Endovascular Surgery at Lenox Hill Hospital in New York City, said that the findings emphasize the need for tighter control of known risk factors for stroke -- especially in the face of stress.
"Make sure your high blood pressure is controlled, maintain a healthy diet and remain physically active regardless of the stress happening in your life," he said. "All this will decrease your chance of having a stroke."
Dr. Curtis Reisinger, a clinical psychologist at Zucker Hillside Hospital in Glen Oaks, N.Y., said that it is likely the anger and hostility associated with type A personalities are what contribute to cardiovascular risks.
"A lot of people don't even recognize that they are angry, but they snap all the time and are always gritting their teeth," he said. Biofeedback and cognitive behavior therapy can teach people to control how they react to events that cause them to become stressed or angry.
More information
Learn more about stroke risk factors from the U.S. Centers for Disease Control and Prevention.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

O papel do electrocardiograma no diagnóstico da Miocardiopatia Takotsubo

Resumo:
A Miocardiopatia Takotsubo (MT) ocorre maioritariamente em doentes idosos do género feminino, com associação causal a fatores de stress emocional ou físico. O stress poderá provocar elevações nos níveis de catecolaminas e hiperexpressividade do sistema nervoso simpático, resultando num quadro semelhante a stunning miocárdico neurogénico, onde ocorre “balonamento” dos segmentos meso-apicais do ventrículo esquerdo (VE). Este traduz-se em alterações da cinética das paredes do VE e é identificado por ecocardiografia ou ventriculografia. A coronariografia, tipicamente, revela ausência de estenose superior a 50%, oclusões do lúmen ou rutura de placa, mas a apresentação clínica na fase aguda é sugestiva de Síndrome Coronário Agudo (SCA) e o eletrocardiograma (ECG) apresenta alterações sugestivas de Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) anterior. Os achados mais comuns são o supradesnivelamento do segmento ST e inversão da onda T nas derivações pré-cordiais. Alterações de repolarização nas derivações inferiores ou laterais, ausência de alterações eletrocardiográficas, bloqueio de ramo de novo, taquicardia ventricular (TV) ou fibrilhação ventricular (FV) podem ocorrer, ainda que com menor frequência. O supradesnivelamento do segmento ST reverte ao fim de poucos dias, mas persistem ondas T negativas e um prolongamento do intervalo QT com duração que pode ir até quatro meses. Este prolongamento do intervalo QT indicia um maior risco de disritmias ventriculares malignas em doentes com vulnerabilidade por QT longo prévio. Assim, o ECG tem utilidade limitada no diagnóstico da MT, mas permite avaliar a sua evolução e identificar os doentes em risco de desenvolver arritmias malignas.

The role of the electrocardiogram in the diagnosis of Takotsubo Cardiomyopathy

Takotsubo Cardiomyopathy (TC) occurs mostly in older and female patients, and is associated with emotional or physical stress triggers. Stress might induce an elevation in catecholamine levels and overexpression of the sympathetic nervous system, resulting in a process similar to neurogenic myocardial stunning, where there is a ballooning of the left ventricle’s (LV) mid and apical segments. These wall motion abnormalities in the LV can be detected by echocardiography or ventriculography. Coronary angiography typically displays an absence of stenosis over 50%,
luminal occlusions or plaque rupture, but the clinical presentation on acute stages is suggestive of Acute Coronary Syndrome (ACS) and the electrocardiogram (ECG) displays changes related to anterior Acute Myocardial Infarction (AMI). The most common findings are ST segment elevation and T wave inversion in the precordial leads. Repolarization abnormalities in inferior or lateral leads, absence of electrocardiographic abnormalities, de novo bundle branch block, ventricular tachycardia (VT) or ventricular fibrillation (VF) may occur, but are substantially less frequent. The ST segment
elevation reverts in just a few days, but negative T waves and QT interval prolongation persist for up to four months. This prolongation of the QT interval carries an increased risk for the development of malignant ventricular arrhythmias in patients already vulnerable from a previous long QT interval. Therefore, the ECG has a limited utility in the diagnosis of TC, yet is able to assess its progress and identify patients at risk of developing malignant arrhythmias.
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